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CONHEÇA A FAMÍLIA VONGOLDEN

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 Família VonGolden

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AutorMensagem
Heros Cronos Pylae

Ministério da Magia
avatarMinistério da Magia


Zodíaco Bruxo : Fada Mordente
Coração : Heterossexual
Idade : 50
Mensagens : 20

Ficha Escolar
Ano Escolar: Concluído
Casa: Gryffindor
Nível: ★★★★☆

MensagemAssunto: Família VonGolden   Dom 16 Jul 2017 - 20:10

FAMÍLIA VONGOLDEN

LOCAL: REINO UNIDO

FUNDADOR: MAXWALE LICOSKI VONGOLDEN

CO-FUNDADOR: VAYOLA VALLET VONGOLDEN

PORTE: MÉDIO




OS VONGOLDEN


Os VonGolden são uma família com uma origem tão antiga quanto a de Hogwarts. Sendo conhecidos como os maiores Joalheiros de toda a sociedade bruxa, – e trouxa – os mesmo traçaram uma mancha sobre a história com o brilho de suas joias, que foram portadas por Imperadores, Imperatrizes, Reis e Rainhas desde a Idade Antiga até a atualidade. Mantendo uma poderosa tradição, os VonGolden optaram por sempre se casarem com bruxos puro-sangue, apesar de nunca terem tido nenhum problema com nascidos trouxas ou mestiços. Educados com base em uma boa conduta, as artes das trevas nunca foi algo prestigiado pelos mesmos, já que pelo contrário, eram repugnadas por todos os bruxos da família.
A origem da família VonGolden é um tanto desconhecida, muitos bruxos especulavam que seus primeiros membros eram de épocas primais da sociedade bruxa, onde a magia de fato começou a se desenvolver na humanidade. Pessoas terceiras não acreditariam que sua existência inicial fora como uma família nômade no período Neolítico, que buscava entre as diversas civilizações históricas uma ponte fixa para sobrevivência, esta na qual encontraram pela cultura Celta Insular que na época estava acomodada sobre a Bretanha-Bretônica. Os mesmo construíram uma moradia sobre as planas montanhas da região, mantendo uma vivência limpa com o cultivo de vegetais recém-descoberto pela parte nobre da população. Devido a sua facilidade de cultivar com o uso da magia, a família teve de se atentar com os habitantes próximos de sua morada, já que naquele período ainda não haviam conhecido outra linhagem com tal capacidade e consequentemente acreditavam ser os únicos.
Em um fatídico dia, o atual chefe da família pediu para que seu único filho pastasse pelos arredores em busca de frutos para o plantio, instruindo o garoto a seguir pelo norte da mata e que prestasse atenção para não se deslocar do caminho de volta. Convencido em orgulhar o pai, o garoto começou a driblar pelo caminho, mau se lembrando dos pedidos do mais velho que, ao anoitecer, procurava junto do resto da família por sua figura aparentemente desaparecida. Os olhos fitando o céu enquanto misericordiosamente pedia seu filho de volta.


A GRUTA
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Múrmuros sôfregos jaziam a escuridão, passos lentos podiam ser ouvidos com atenção enquanto o resplandecer das estrelas caia com brilho sobre o rosto do homem. Seu corpo tremia no mais penumbro frio da madrugada, apesar das vestes feitas de pele que usava, estas ensanguentas com os diversos machucados distribuídos por seu corpo. Em suas mãos uma lança residia dando sentido contrário ao seu objetivo e lhe ajudando como forma de apoio pelo solo áspero em que seus pés descalços pisavam. Não lhe cabia mais a quantidade de tempo que havia passado perambulando em busca de abrigo, fazendo com que imediatamente seus pensamentos corressem em misericórdia a sua família, na qual ele já se preparava em não ver nunca mais pelo fato de ter se conformado com a ideia de que não sobreviveria por muito tempo na situação em que se encontrava. Ofegou cansado e sem se preocupar com os possíveis escorpiões que se escondiam na gretas rochosas das montanhas apoiou-se com as costas contra a parede de colisões pontudas, fechando os olhos com força enquanto pedia misericórdia a qualquer ser existente nas estrelas que tivesse misericórdia de aí e lhe amparasse.

Engoliu em seco e de forma remetente abriu os olhos, erguendo a cabeça e desviando o foco de suas íris claras para metros de distância. Podia ver com precisão uma pequena entrada coberta de pedras, ao seu redor um cerco de pedras se destacava, chamando-lhe a completa atenção e fazendo com que suas costas ficassem rígidas. Estaria arriscando caso aquilo fosse uma miragem e certamente brotasse em um precipício qualquer, mas como estava em certa forma com poucas escolhas ao seu ver, deixou de lado suas frustrações, guardando juntamente com os batimentos cardíacos vindos de seu peito seu desespero. Impulsionou seu corpo com a mão esquerda, está sendo a menos ferida aproveitou em continuar tatear a parede como forma de apoio. Suas pernas bambeavam consequentemente pelo cansaço e tinha certeza de que não aguentaria mais alguns minutos em pé. Toda a extensão de seu corpo doía e sua pele estava febril devido ao descuido com o sereno propositado no momento. Respirou fundo quando ao tocar de forma precisa o seu lado, os dedos de sua mão conseguiram sentir a espessura das rochas da abertura. Olhou adiante com um desejo vago que não estaria se enrolando na calda de uma cobra e enroscou seus dedos mais fortemente no bastão da lança, dando alguns passos para frente enquanto se perdia em um mar negro.

Procurou tentar prestar atenção nos detalhes, mas tomou certeza que sua visão era inútil no estado de luminosidade que a possível gruta se encontrava. Sua boca salivava de fome, até porque faziam horas desde a sua última refeição. E seu olfato, céus, parecia perdido nas perfumes inebriantes vindo com as brisas de vento que batiam contra seu rosto, deixando lhe como a última opção tentar se arrastar o máximo que conseguia até um canto onde pudesse se encostar. A cada passo que dava sentia seus ossos fraquejarem, seus olhos estavam fechados com a possibilidade do que poderia encontrar e seu medo era tanto, que de forma grotesca, pisou descuidado em algo pontudo e espesso fazendo com que gemesse alto em dor e caísse sobre o chão. Murmurou sôfrego e de lastima fechou os olhos, pensando que a morte viera adiantada para ele numa vida mal vivida. Apoiou-se com as mãos contra o solo e se arrastou lentamente, manchando seu caminho de sangue, sangue este que provavelmente seria sua última adição sobre o mundo. Se encolheu ao sentir algo áspero esfolar por seus ombros e se esforçou a para ficar de costas ao que parecia uma parede, fungando em dor ao encostar-se nela de maneira plena.

O jovem rapaz não sabia o que esperar de sua vida, seu rosto perdia o tom só de imaginar o seu fim naquele desconhecido lugar. Seus olhos naquele momento podiam se considerar cegos, já que independente da situação naquele momento, sua visão não lhe serviria de nada naquela escuridão. Seus olhos ardiam de temor, assim como seu corpo tremia de frio e medo. Ergueu a cabeça novamente e como um último pedido de fé, proclamou a honra de sua morte, pedindo a qualquer ser acima de si um caminho próspero após o seu falecimento, seja onde sua alma for parar.

Suas pálpebras começaram a cair lentamente e ele sentiu quando seus cílios tocaram sua face. Ficou assim por alguns segundos, se permitindo a apenas esperar o seu fim. Algo que não durou muito, deve dizer, já que um brilho poderoso começou a lhe invadir as brechas, fazendo com que abrisse os olhos novamente e encontrasse a cena mais inesperada de sua história. No chão terroso diversas manchas residiam, estas brilhando em tons diversos das mais aleatórias cores que já havia provado. Se encolheu ainda mais contra a parede, atento ao espetáculo e o observando resplender cada vez mais, já que em breves segundos pequenos brilhos começaram a lhe cercar, revelando com mais detalhes a gruta em que se encontrava. Das manchas no solo, um alavanco começou a se formar lentamente como uma árvore, diferente das outras que já vira em sua vida, seus frutos e brotos eram cristais, estes no qual ele reconheceu serem os mesmos nas paredes. O brilho era magnífico e a sombra da escuridão já não era mais um medo, fazendo com que sorrisse mínimo por alguns minutos. Seria um sinal de piedade dos Deuses? Pensou minimamente e gritando ao sentir algo lhe tocar os ombros nus, a pele dolorida ficando ouriçada ao ter contato com o que mais pareciam... Pelos.

Olhou para o lado de olhos arregalados e com bruteza se arrastou para longe ao encontrar a figura de um ser muito parecido com um macaco, este diferentemente dos outros, tendo uma pelagem mais plumada e de fios lisos e claros. Seu tamanho era médio, e seus olhos grotescamente atraentes, em um preto valioso. O animal aparentava curiosidade, já que sua cabeça se mantia um pouco curvada e suas "mãos" juntas mostravam a cautela que estava tendo ao ter o movimento bruto da parte do homem ao seu toque.

               ⁃ O que ser você? - A voz do homem saiu em um sussurro baixo, no qual a criatura pode ouvir perfeitamente bem, sua boca se fechando estreitamente enquanto um bico se formava entre seus lábios. Segundos se passaram em silêncio, até que o animal ergueu os braços peludos e como se estivesse em um rito, fechou os olhos misteriosamente. O outro lhe observava em confusão, sua mente vagando entre sentimentos de medo, curiosidade e resolução da forma em que se encontrava. O tempo foi se passando e enquanto se afastava minimamente mais da criatura, o mais velho pode perceber um brilho estranho vindo da árvore, que o surpreendendo, veio em sua direção de forma brusca, fazendo com que fechasse os olhos com força esperando o impacto do que aquilo fosse. Impacto este, que em minutos não veio, fazendo com que abrisse um dos olhos assustado e em seguida o outro, encontrando o rosto de criatura bem próximo do seu e soltando um pequeno grito ao sentir a respiração ofegante da mesma contra seu rosto. Se levantou bruscamente e andou levemente para trás, encostando-se contra a parede de pedra. E foi então que arregalou os olhos, sua mente percebendo algo que até então seria impossível.

               ⁃ O que... - Olhou para si próprio, percebendo que não haviam mais feridas, seu corpo já não sentia dor e o frio não era mais um problema, tocou seu próprio rosto esperando alguma mudança e em seguida olhou para a criatura que esperava alguma resposta, apontando o dedo para ela acusadora. - Você! O que você fazer comigo!?

Apesar de toda a frustrante hesitação que cercava o primogênito, o garoto se permitiu observar as ações da criatura á sua frente. Ambos passaram a noite se encarando de forma curiosa, as vezes trocando resmungos que tinham como resposta barulhos estranhos e consequentemente se tocando, apreciando de fato a descoberta de coisas novas para sua mente. Quando o sol se propôs sobre o céu, o VonGolden olhou particularmente para o animal, de forma que quem visse pelo exterior entenderia como uma despedida eterna, mas que para a criatura simbolizava um breve até logo. Um até logo que ela estava certa em pensar que era breve.

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Acostumados por viverem em um clima agradável e de grande conforto e afeto entre os membros, os VonGolden sofreram por um imaginável imprevisto no inicio da Era Medieval, onde partes de suas Minas de pedras preciosas estavam em alvo de grandes problemas administrativos (Estes chamados de duendes).

AS RAMIFICAÇÕES
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⁃ Novamente problemas com os duendes? - A mulher perguntou ao observar a maneira lenta no qual o marido se aproximou, a expressão do mesmo trazia uma carga positiva junto com sorriso forçado que soava como um "Tudo irá ficar bem". Suspirou e olhou para a serviçal que lhes observava atenta, fazendo um breve sinal para que a mesma saísse logo dali, algo que não foi de muita espera. -  Achei que já tínhamos resolvido tudo isso em nossa última visita à África. - Ela comentou baixinho se aproximando do marido e lhe cercando com os próprios braços onde diversas joias dos mais diferentes tipos residiam.


               ⁃ Eu também, minha querida. - Ele assentiu com a cabeça enquanto escondia o rosto sobre seu pescoço, os lábios degustando levemente da pele alva da mesma. - Mas pelo visto não foi o que aconteceu. - Murmurou baixinho com um tom de derrota em sua voz e a mulher respirou fundo enquanto leva-vá uma das mãos em direção ao cabelo do maior, seus dedos começando a distribuir um singelo carinho entre os fios de cabelo aloirados. - E o pior não é isso...  
               ⁃ Diga, o que lhe atormenta? - Ela questionou novamente enquanto se afastava e tocava o rosto do outro com mais delicadeza. Sua mente pensando em alguma forma de tentar acalmar o esposo.

               ⁃ Viktor está me cobrando. - O homem disse e a mulher arregalou os olhos assustada, seus dedos apertando com mais força a face dele, fazendo com que se desse conta dos possíveis pensamentos que a outra pudera ter com suas palavras. - Não estamos devendo se é isso que quer saber. Ele está me cobrando uma solução. - Respondeu em prantos fazendo com que a mais nova soltasse o ar que mal soubera estar segurando, se acalmando em seguida. - Solução está no qual eu não tenho a mínima noção de qual seja e onde achar. - O homem falou enquanto fechava os olhos com força.

               ⁃ Mandar algum representante para lá não resolveria? – A mulher sugeriu extremamente exausta de ver o marido tenso nos últimos dias e objetou curiosa quando o mesmo a encarou de olhos arregalados. – O que?

- Tive uma ideia. – O homem respondeu calmamente a amada, dando-lhe um selar nos lábios pela importante inspiração. Pigarreou em seguida, se afastando de forma rígida. – Irei comunicar Viktor, comece a se preparar... – O mesmo murmurou sentindo a expressão confusa de sua esposa ser direcionada a sí próprio, virou o rosto e encarou a visão por trás da janela ao lado. – Teremos que nos mudar. – Decretou por fim, começando a andar em direção a porta de entrada enquanto a outra lhe observava atônita. – Iremos para África.


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Prezando a proteção de seu patrimônio, os membros decidiram se dividir em dois grupos (Antes, fazendo um trato de que a cada 4 gerações, dois membros de cada ramificação deveriam se casar como forma de manter os laços sanguíneos entre os grupos), onde um ficaria responsável pela produção das joias e o outro pelo monitoramento das fontes de matéria prima. Nasceram assim consequentemente os Licoski e Vallet.



OS LICOSKI


Envolvidos pelo clima frio dos territórios que juntos se tornariam em breve a atual Escócia, os Licoski tinham traços tão marcantes quanto os de qualquer Malfoy. Os fios platinados, juntamente da pele branca fazia grande contraste por toda a sociedade bruxa. Apesar de que, a marca dos joalheiros eram os olhos. Claros como qualquer outro, independentes da coloração; esse era o famoso comentário que rondava entre as boas línguas que os vissem. Apesar de cautelosos, a ramificação era muito conhecida por seu bom humor, já que se faziam presentes nos constantes eventos.
Os primeiros Licoski tiveram uma grande importância para todo o clã em si. Já que, ao analisarem as pedras residentes na gruta da besta de seus antepassados, descobriram que as mesmas produziam uma grande gama de poder, o que lhes fez recorrer a outra importante família em busca de respostas, respostas estas propensas a ambição de como poderiam usa-lo.

AS JÓIAS
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Era breve a se anoitecer quando o piar dos pássaros soou retumbante por toda uma floresta, as árvores velhas jaziam a idade presente naquele local, deixando com que a rustidez obvia ganhasse um ar completamente grotesco. Alguns pequenos animais se colocavam a se esguiar pela região, uns correndo às pressas por seus instintos e outros lentamente pelas próprias capacidades físicas ou falta temor prévio. Sobre a grama verde, era possível ver diversos ramos de flores, as cores aleatórias tornando tudo maravilhosamente belo, enquanto um único banco de pedra era acomodado no centro de todo aquele verde. No mesmo, um homem degustava calmamente do ar livre, seus trajes grossos deixando claro o frio que se fazia naquela hora, enquanto a segurança em seu olhar demonstrava o quão impertinente a temperatura poderia ser que não o incomodaria. O mesmo tinha cabelos os fios de cabelo em um loiro atraente, enquanto o verde de seus olhos demonstrava o quão peculiar se sentia naquele lugar. O homem olhou com interesse para uma folha próxima a sola de seu pé, seu sorriso se abrangendo de forma rápida ao ouvir passos vindo em sua direção, quase podendo suspirar ao sentir um inebriante frescor invadir suas narinas.

- Pensei que não viria. - O homem falou ao ter certeza de que a recém presença estivesse sentada ao seu lado, seus olhos ainda encarando a folha abaixo de si enquanto sentia um silêncio profundo tomar conta de seu arredor.  - Precisamos conversar. - Decretou por fim, finalmente erguendo sua cabeça para encarar as joias azuladas que eram os olhos da mulher próxima.

- Eu sei que precisamos conversar! - A mesma disse em um tom nada hostil enquanto ajeitava a própria roupa com as mãos, as mesmas se encontravam cobertas por uma luva branca, tão límpida quanto o sorriso cínico que a mesma direcionou ao homem em seguida. - Mas enfim, já estão prontas... - Murmurou. O homem arqueou as sobrancelhas de forma esclarecedora, fazendo-a pigarrear. - Todas elas. - Finalizou, desviando o olhar para uma árvore próxima. A mesma estava se sentindo como uma presa naquele local, principalmente tão perto daquele homem que parecia estar esperando suas ultimas lamentações para então, enfim, lhe devorar.

- Fico irreverentemente feliz por isso. - O mais velho comentou após de maneira calma, fazendo-a lhe olhar raivosa antes de suspirar e se aprumar com uma ruga entre a testa. - Quando poderei buscá-las? - Questionou , mantendo sua ansiedade por baixo do tom firme no qual sua voz retumbou.

- Agora mesmo, na verdade. - A dama respondeu enquanto de forma presunçosa se prostrou a sorrir, colocando uma mão levemente sobre o ombro do outro, massageando-o de maneira calorosa. O mesmo sentiu algo pesar em seu bolso e não pode deixar de rir baixinho antes de afastar a mão da mulher com um mexer de tronco.

- Acho que já estamos muito velho para demonstrações de carinho, não? - Comentou de forma sonsa e a mulher lhe encarou estupefata antes de resmungar pequenos palavrões baixinhos e desviar o olhar. - Ainda sim, obrigado. Essas pedras são muito importantes para minha família, seremos gratos á vocês estupendamente. - Decretou, soando sincero com suas ultimas palavras antes de respirar fundo e se levantar. Se prontificava a caminhar para longe quando a voz da outra soou sobre seus ouvidos.

- Estou curiosa... - O mesmo não retornou seu olhar ao rosto da outra, sabia que se a encarasse a situação se tornaria diante do pior em que já estava. - Curiosa em como conseguiu arranjar essas pedras. - Concluiu, não dando um segundo sequer para o outro rebater suas falas. - Eu não sou tosca, Aradon. Eu identifico magia forte quando a presencio, e o que você carrega nas suas vestes é um saco dela. - A mulher disse, fazendo com que o homem olhasse para o céu tão suplicante que tornaria-o sábio em um momento como aquele.

- Coisas de família, minha cara. Todas tem seus segredos, tanto a minha, quanto a sua. - Comentou fazendo com que a outra lhe olhasse cautelosamente, presa nas palavras do homem como se estivesse á espera de alguma resposta digna do que uma barata filosofia. - E seria cansativo demais lhe explicar. É complicado. - Terminou, suspirando antes de partir em passos lentos até o escuro das arvores. - Boa noite, Vourhees.

- O mesmo, Licoski.
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Mas nem tudo fora pura perfeição, já que quanto mais conhecidos, mais forte no mercado ficava o sobrenome dos mesmos. E digamos que isso não agradou muita gente. A primeira difamação aconteceu, quando por meio de berros, habitantes de um pequeno vilarejo começaram a acusa-los de serem descendentes de Veelas e que eram os responsáveis pelo desaparecimento de alguns trouxas, que na época, estava chamando grande atenção á sociedade bruxa.


O FALSO CRIME
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O clima estava frio perante as grossas e velhas paredes de pedra da mansão dos Licoski, as nuvens fechada cobriam todo o céu escuro daquela noite, de forma que quem olhasse detalhadamente temeria em sair de casa naquele horário.  O vento batia forte contra os galhos das arvores que se encontravam ao redor da estrutura, fazendo com que uma grande quantidade de folhas caísse sobre o gramado úmido dos jardins. Ao redor, as flores se encontravam murchas pela falta da luz do sol, que há muito não receava em aparecer pela região desde as ultimas semanas. Em um dos cômodos do palácio, mais precisamente na sala de estar, o fogo crepitava dentro da lareira arejada, fazendo com que todos os detalhes encravados na mesma brilhassem ao capitarem seu reflexo. A diante de si havia um tapete de linho, onde por cima uma mesinha de vidro se encontrava. Ao lado, se encontrava uma poltrona preta, onde uma jovem mulher se mantia sentada, os cotovelos apoiados contra as próprias coxas enquanto suas mãos estavam sobre o próprio rosto, como se estivesse se escondendo. Seus lábios estavam entreabertos, fazendo com que ofegos sôfregos saíssem dos mesmos cada vez que respirava profundamente. Os cabelos loiros da mesma estava soltos por seus ombros quase que de forma assustadora já que se encontravam embaraçados, o que não era comum se tratando da personalidade na qual a mesma portava. A mulher foi interrompida de seus pensamentos quando a porta da sala se escancarou, revelando-lhe o marido com olhos arregalados andando em sua direção de forma apressada. Ela não havia se movido, mas conseguia ouvir-lhe os passos, mas o cheiro que se impregnou no cômodo fez com que identificasse rapidamente o amado. Sentiu rapidamente seu corpo ser abraçado, o corpo do marido espremendo contra ele de forma acolhedora, fazendo com que ela finalmente suspirasse e se pusesse a chorar baixinho.

- Shhh... Vai passar, eu prometo. - Pode lhe ouvir dizer, mas sabia que nem o próprio havia certeza de suas palavras. Estavam naquela situação desde o inicio do mês e esperavam que com o passar dos dias tudo fosse se resolver de forma calma e segura, o que não aconteceu, pelo contrário.

- E-Eles me x-xingaram de tantos n-nomes... - Gaguejou entre soluços, se engasgando enquanto o marido lhe apertava cada vez mais. - M-Monstro, Peste, A-Aberração. - Revelou sem observar a expressão do homem ganhar um misto de raiva, fazendo com que respirasse fundo. - Eu n-não aguento mais isso.

O homem bufou descontente. A situação estava saindo fora de controle e o mesmo não havia sequer a miníma noção do que poderia fazer para o sofrimento da outra acabar, mas o que poderia fazer? Estava pensando em uma outra solução que senão o tempo a semanas e nada que viesse em sua mente de fato se aparentava apropriado, a não ser, matar todos. Mas aquilo já era drástico o suficiente para si mesmo. Tudo havia começado quando alguns trabalhadores seus moradores de um vilarejo trouxa bastante próximo a mansão haviam desaparecido, fazendo com que um grande transtorno se engrenasse no resto da população, que temerosa por mais possíveis mortes, se trancara em suas casas. Só que as coisas ficaram bem piores quando um grupo de moradores se revoltou em praça pública, acusando-os de que eram os verdadeiros responsáveis pelo aparente sumiço dos trabalhadoras, fazendo com que desde então tivessem que lidar com a ira do restante da população, que parecia disposta a tudo por uma possível vingança contra a culpa que eles sequer carregavam. Suspirou profundamente quando a esposa ergueu a cabeça, encarando-lhe com os olhos claros avermelhados pelo choro.

- E-Eles... Eles falaram que vão invadir a mansão. - A mulher murmurou, já um pouco mais calma do que minutos atrás. - Temos que fazer algo... I-Isso saiu do nosso controle. - Admitiu desgostosa, voltando a suspirar quando o mais velho ergueu a mão em direção ao seu cabelo, enrolando uma das mechas com dedo.

- Eles não conseguiriam. Essas paredes estão protegidas por algo além até de nós mesmos. - Falou e a mais jovem sorriu, um tanto aliviada e deveras envergonhada por ter se esquecido de algo tão óbvio. Parecia ter perdido toda a classe aprimorada com sua mãe naquele momento, o que lhe fazia agradecer por apenas seu marido estar a vendo no estado atual. - E relaxe, nós vamos pensar em algo... - Sussurrou enquanto fechava os olhos, puxando a novamente para um abraço apertado. - Até lá, você não deve sair sem ser acompanhada. Estamos entendidos?

Ela não precisou responder, ele sabia que estavam.
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A segunda fora uma rumorosa e grave acusação de roubo de terras. Esta sendo mais graves acabou por ser considerada uma grande ofensa aos loiros, o que fez com que fossem fechar contas com os Chase (Que foram apontados como fonte da acusação). Por fim, ambas as famílias iniciaram uma pequena rixa, que com o tempo foi se alimentando com o orgulho das mesmas e fazendo com que as discussões se tornassem rotineiras sempre que se encontravam em algum evento da elite, o que acabou manchando a imagem de ambas as famílias no mercado, fazendo com que fizessem um trato, onde dois de seus futuros herdeiros se casariam e por assim, encerrariam com todas as desavenças ao unirem seus sangues.


A FUGA DA NOIVA
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A manhã estava estonteante naquele glamouroso dia, o sol raiava de forma encantadora, o céu límpido de nuvens enquanto um azul claro lhe tomava a cor pela região. Ao solo uma grande toca de madeira estava armada sobre a grama esverdeada, sua estrutura totalmente envolta das mais diversificadas flores, cada uma mais rara e prazerosamente cheirosa que a outra. Adentro, se encontrava um simplificado altar de vidro, um pano branco lhe cobrindo enquanto um cálice de água claro se ressaltava sobre si, o liquido refletindo a imagem do lustre de flores pendurado ao teto. Ao lado, um velho homem sorria calmo para o rapaz a sua frente, o mesmo já havia remexido a gravata borboleta na qual usava pela vigésima vez naquele dia, demonstrando a total tensão que estava sentindo com o momento presente.

- Se acalme, bom moço... - Murmurou baixo enquanto atraia a atenção do outro para si, o mesmo lhe encarou com olhos arregalados de vergonha fazendo-o gargalhar. - Não se preocupe, já já ela vai chegar. - Retornou a sorrir, dessa vez tão doce quanto da primeira vez. O rapaz lhe encarou sem graça e ergueu a mão em direção a nuca, coçando-a ligeiramente sem graça enquanto desviava o olhar.

- Perdão. - Respondeu baixinho o mais novo, fazendo o outro negar com a cabeça calmamente. - É que... V-Você não acha que ela demorando muito? - O outro lhe arqueou as sobrancelhas em sua direção, visivelmente interessado. - Digo, os convidados já estão cansados de...

- Noivas se atrasam, meu caro. - O velho lhe interrompeu, se prostrando a encarar o céu em seguida. - É como um costume. Se eu ganhasse uma moeda com cada casamento que eu abençoei na qual as noivas se atrasaram para cerimônia... - Murmurou por fim pensativo, se virando para o mais novo com um ar risonho. - Acredite, eu já estaria rico e provavelmente aposentado. - Brincou, fazendo o outro rir.

Um silêncio terno se apossou entre ele nos minutos seguintes, fazendo com que o mais jovem tornasse a pensar sobre a amada. Não deveria estar tão hesito em relação a mesma, até porque, era óbvio o motivo no qual se encontrariam ali. Amor, esse era o motivo, o sentimento que os unia. E ele sabia que a amava, assim como ela certamente sentia o mesmo por si, afinal, a decisão do casamento fora feita em conjunto pelos dois, mesmo que já descrita por suas famílias a anos atrás. Se sentia tolo, até porquê, não deveria estar temendo tanto assim. Fora interrompido de seus pensamento com o retumbar de passos contra tapete branco despejado sobre a grama. Sorriu, se virando em direção a entrada, percebendo que todos os convidados fizeram o mesmo ao se levantarem da cadeira já em tédio. Se surpreendeu ao ver sua mãe vindo em sua direção com um sorriso confortador, fazendo com que uma ruga tomasse conta de sua testa.

- M-Mas o qu.. - Murmurou confuso quando a mulher lhe abraçou, seus braços traçando as costas do rapaz tão forte que o mesmo poderia comentar exageradamente que seus ossos estralaram. Havia carinho naquele ato, o rapaz podia sentir o amor lhe afetando, mau prestando atenção no brilho que tomou conta da joia encravada no anel em seu dedo. A diante o homem mais velho observava cautelosamente em busca de respostas, mas ao sentir o olhar da outra sobre si ofegou em esclarecimento.

- Ela não vem filho. - A mulher disse alguns segundos depois, fazendo com que o rapaz a apertasse. - Elizabeth fugiu... - Murmurou baixinho, levando uma das mão até a nuca do filho, acariciando os fios de cabelo do outro com delicadeza. - Fugiu com o Chase.
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OS VALLET


Responsáveis por todas as Minas da família VonGolden, os Vallet se mudaram para uma ilha entre a África e a Europa chamada Malta, se situando em uma cidadezinha pequena. Apesar das dificuldades em relação ao clima, não demorou para que o grupo se adaptasse a nova civilização, já que nos primeiros anos conseguiram reaver toda bagunça deixada pelos duendes e criar fortes laços pelo território, tornando-se a família mais poderosa da ilha (Tanto que o nome da capital da mesma, Valeta, foi colocado em sua homenagem) . Diferenciados pela pele mulata, (No qual a temperatura ajudou em muito na produção) os Vallet tem olhos tão marcantes quanto os dos Licoski, apesar de que com tempo, aconteceram algumas exceções.
O que os Vallet não esperavam, é que uma grande tragédia viesse a acontecer. Uma das primeiras herdeiras da ramificação, Agape, veio a nascer com grande admiração por parte do grupo e com tempo, a ansiedade em relação á magia da garota crescia cada vez mais. Os anos se passaram e menina nunca havia dado sinais de poder, o que fez com que se preocupassem já que isso nunca fora algo comum entre os nascidos da família.


O LEGADO
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A família Vallet estava reunida na sala de estar da enorme estrutura na qual chamavam de casa, todos com expressões aflitas enquanto seus olhos mostravam o cansaço e medo representado naquele momento. Um do lado do outro eles mantiam suas mãos enlaçadas, como forma de união. Alguns tinha a cabeça levemente abaixada, olhando para o chão como se fossem conseguir todas as respostas. Outros estavam de cabeça erguida, atentos aos detalhes e principalmente na porta mais à frente, de onde todas as certezas viriam em pouco tempo. Apesar de tudo, alguns já tinham em mente do resultado de toda a repercussão, mas preferiram se calar para não matar as esperanças dos demais presentes ou desenvolver discussões desnecessárias em um momento tão importante para o que eles em si representavam.

               ⁃             Esta demorando tanto... - A mulher mais velha falou, sua voz se sobressaindo e chamando a atenção dos outros, que se mantiveram em silêncio.

               ⁃             Se acalme mamãe, ela vai ficar bem... - Um outra mulher, de traços mais joviais, comentou enquanto suspirava e parava pra pensar se ela própria tinha certeza do que dizia. - São só... Exames. - Murmurou enquanto passava as mãos pelos fios negros de cabelo.

               ⁃             Exames, óras! - A mulher encasquetou, seus lábios se estreitando enquanto revirava os olhos nervosa. - Ela é uma Vallet, isso não é necessário! - Falou com orgulho enquanto respirava fundo. Os outros automaticamente se endireitaram e em união, ergueram olhares orgulhosos de seu sobrenome.

               ⁃             Ainda assim Mamãe, é melhor esperarmos. - Um de seus outros filhos disse, chamando a atenção da mulher que lhe fuzilou com o olhar, pensando no quão petulante uma de suas crias podia ser. - É só para termos certeza.. - Ela arqueou a sobrancelha para ele, que engoliu em seco e abriu a boca sem conseguir falar por alguns segundos, sua mente vagando em busca de algo que lhe tirasse da enrascada de suas próprias palavras. - N-Não que já não tivéssemos... - Gaguejou e a mulher bufou estressada fazendo sinal com a cabeça para que se calasse. O mais novo apenas abaixou os olhos para suas mãos, brincando com seus dedos de forma sem graça.

               ⁃             Acho que devíamos apressa-lo, eu tenho mais o que fazer. - O marido da mais velha comentou e todos lhe encararam rapidamente, fazendo com que erguesse as mãos para o alto em uma encenação de redenção. - Estou tendo problemas com os duendes novamente, okay? - Disse em sua defesa, levando uma de suas mãos lentamente até sua têmpora esquerda e massageando calmamente. - Vocês não sabem como é difícil manter aqueles pestinhas no controle sem que eles façam uma completa bagunça em nosso sistema.

               ⁃             Já está na hora de mudar a mão de obra, não papai? - Outro filho lhe questionou, fazendo com que o mais velho soltasse uma gargalhada em sarcasmo.

               ⁃             Mudar a mão de obra? Temos um trato com os duendes, filho. Isso seria impossível. - Disse enquanto suspirava nervoso. Levou a mão até o queixo e o coçou brevemente, as unhas passando pela barba já de fios embranquecidos. - E além do mais, eles são baratos e prestativos, o ego é o único defeito deles. Se acham no direito de ter tudo. - Explicou enquanto sorria para a mulher que lhe olhava com atenção. - Acho que a solução seria se eu fosse mais rígido, estou dando muita folga para aqueles baixinhos. - Brincou fazendo com que todos rissem, causando um leve efeito de tranquilidade e lazer se apossar entre eles.

Não que durou muito tempo, já que minutos depois a porte a diante da sala se abriu, revelando a figura de um homem maduro que hesitante, saiu e fechou a porta atras de si, se aproximando com lentidão dos demais. Sua expressão era ilegível e de certa forma, arrebatadoramente tranquila, enquanto seus olhos demonstravam uma completa sinceridade e sua total tristeza em relação ao que viria a falar seguidamente, engolindo em seco e respirando fundo, pigarreando como forma de chamar atenção dos outros adultos.

               ⁃             Oh, diga-nos Doutor, qual é o resultado? - A mais velha se levantou e tomou a frente da família, suas mãos juntas em um aperto enquanto orava mentalmente pedindo pela primeira vez em décimos de vida misericórdia.

               ⁃             Por primeiro, digo que fizemos diversos tipo de exames e testamos vários feitiços para obter a confirmação exata em relação a ela. - Explicou vendo todos assentirem, o aperto entre as mãos da outra se tornou mais forte. - E é com grande lastima que, após analisarmos o núcleo mágico da garota tivemos a total certeza de que ela não possui magia. - Disse suspirando e sorrindo. - Meus pêsames Sra. Vallet, mas sua neta é um aborto.
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E então perceberam, que na verdade, Agape não possuía magia. Agape era um aborto. Sem muitas informações sobre o que a garota era na época, a família decidiu esconder a garota da sociedade bruxa, com medo de uma possível retaliação e pura vergonha. A garota foi trancada nas masmorras do recinto e viveu lá, presa em suas próprias lagrimas até a juventude, onde foi encontrada morta após dias sem comer. Enraivecidos, os Vallet tomaram nojo dos trouxas, colocando neles a culpa da herdeira ter nascido sem magia por causa de alguma doença que provinha dos mesmos.


CONSTRUINDO TORRES
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As manhãs frias eram frequentes para o povo alemão, que acostumado com o clima arisco presente no passar dos dias, costumavam tratar essa característica de forma habitual. E era com esse pensamento, que um homem adequadamente vestido ao baixos graus de temperatura atravessou uma das ruas de Munique, na época a mais popular cidade do país. Seu rosto magro carregava uma expressão cansada, enquanto suas pernas finas se mexiam de acordo com passos lentos que dava pela calçada mal feita. Ele era jovem, quem o olhasse não diria que tivesse mais de 25 anos. Curvou a esquina e cumprimentou alguns conhecidos parados em um botequim qualquer, todos bêbados enquanto mulheres de busto cheio eram carregadas em seus colos. Olhou para trás momentaneamente e percebeu um rapaz cabisbaixo andando apressadamente atrás de si, provavelmente mais um jovem perdido no buraco em que o país se encontrava, pensou. Virou em outra esquina e percebeu que o rapaz continuava a lhe seguir, o barulho da sola do sapato dos mesmos destoantes á qualquer silêncio ao baterem contra o chão. Engoliu em seco agora incomodado com a situação, poderia estar errado pensando que o garoto queria lhe saquear ou algo assim, mas também não podia negar a sensação incômoda que se assolava em seu peito e portanto, quando viu de longe um beco escurecido pelas sombras dos prédios ao redor não pensou duas vezes em andar até lá, se jogando de costas contra a parede e vendo o garoto passar adiante minutos depois. Suspirou aliviado e ergueu a cabeça para admirar o céu, fechando os olhos e rindo de escárnio em seguida. Havia sido tolo em achar que houvesse alguma chance daquele rapaz lhe azucrinar. Sorriu com esse pensamento e se manteve alguns segundos assim. Até sentir uma mão agarrar-lhe o ombro com força. Mau pode abrir os olhos, sendo levado pela uma mistura de cores, o sorriso do rapaz misterioso sendo sua última imagem.

[...]

               ⁃ Adolf Flying, é um prazer conhecê-lo. - O austro-húngaro ouviu ao abrir os olhos, se assustando ao ver o lugar desconhecido em que se encontrava. Se moveu para trás com o impulso dos pés e suas costas se chocaram contra a cabeceira de madeira da cama em que estava deitado. A sua frente, uma jovem mulher resplandecia, a pele negra fazendo com que o homem tivesse certeza de sua não nacionalidade alemã.

               - Q-Quem é você? - Gaguejou em uma tentativa fracassada de demonstrar coragem, dessa vez passou os olhos pelo quarto rapidamente e ao parar na janela, percebeu a presença do garoto que estava lhe seguindo encostada na mesma.

               ⁃ Óras, que deselegante da minha parte. - Não estava olhando para o rosto da mulata, mas podia perceber o tom amargo em sua voz. - Me chamo Hassara. - A mulher se apresentou. - Hassara Vallet VonGolden e aquele meu amiguinho ali. - Flying voltou a fitar a mulher e percebeu que a mesma apontava em direção ao outro garoto. - Se chama Edmund. Só Edmund.

               ⁃ O q-que querem comigo? De onde são!? - As palavras saiam altas enquanto o tom de duvida permanecia pelo silêncio do quarto. - Se for um sequestro, eu venho de família pobre. N-Não tenho dinheiro para o resgate. - Admitiu com um misto de repugnação em sua voz. A mulher riu e negou com a cabeça enquanto se levantava da poltrona em que estava sentada.

               ⁃ Cristo, não é nada disso. - Juntou as mãos de frente ao próprio tronco, os cabelos lhe caindo pelas costas enquanto a joia em seu pescoço fazia o homem à frente ter dores de cabeça só em imaginar o valor. - Viemos aqui, Sr. Flying... - Começou com a voz baixa, dando alguns passos para a frente. - Porque queremos a sua ajuda.

               ⁃ M-Minha ajuda? Eu já disse minha senhora, eu sou p-pobre. Não tenho influência... - Falou em temor, sua voz soando baixa enquanto seus pensamentos a Deus eram altos em um pedido de misericórdia para que aqueles dois não lhe fizessem nada de mau.

A mulher revirou os olhos e sem prestar atenção nas inúteis palavras do homem, estralou os dedos fazendo com que a garra de vinho a mesa ao lado derramasse o líquido arroxeado sobre a taça de cristal. Felizmente, o homem tinha sua mente modificada, vendo um garçom entrando dentro do cômodo e servindo a mulher em silencio, se retirando logo em seguida.


               ⁃ Sinceramente, Adolf. - Falou o primeiro nome dele com diversão, levando a taça até os lábios e curvando-a enquanto sentia o líquido adocicado lhe descer pela garganta. - Eu esperava mais coragem de você. - Admitiu brincando e deu outra golada em sua bebida, fazendo um pequeno barulho de satisfação com a língua antes de devolver a taça a mesa ao lado. - Enfim, serei direta. Sabemos de sua participação no Partido dos Trabalhadores Alemães, Sr. Flying, e eu e meus colegas estamos bastante interessados em fazer um trato com o senhor.  - A mulher deixou clara suas intenções, não dando tempo do homem reclamar de que devia procurar o seu superior. - Já pensou em ser líder, meu caro? Ter o poder total em suas mãos e capacidade de mandar e desmandar quando quiser? - O outro engoliu em seco e negou com a cabeça, afastando os pensamentos em relação às perguntas da mulher. - Está mentindo. - Sentiu um arrepio por todo seu corpo quando a mulher riu após lhe acusar. - E se eu dissesse que poderíamos lhe entregar o poder que deseja Sr. Adolf? Dissesse que poderíamos lhe fazer crescer no partido e derrubando um á um você chegaria ao tão desejado cargo de líder principal? - A tentação era óbvia no tom impiedoso da negra, que batucava seus dedos contra a poltrona.

               ⁃ E-Eu... - Iniciou em voz baixa. - Eu negaria, é c-claro. Pensar desta forma é traição ao meu superior. - Disse essas últimas palavras com todo o resto de orgulho que ainda nutria em seu corpo e a mulher percebeu, estudando-o cautelosamente.

Passaram se minutos em silêncio e a mulher ainda encarava-lhe, sua mente arquitetando peça por peça de um quebra-cabeça sem fim de sua imaginação. Por fim, a mulher apenas sorriu e se levantou bruscamente, ajeitando o vestido negro que usava com um toque de mãos.

               ⁃ Pelo que vejo o senhor ainda não é totalmente confiável aos meus planos, Sr. Flying. - A Vallet falou de forma sincera é calculada enquanto se aproximava da cama. - Portanto, vejo que precisa de uma pequena degustação do que posso lhe oferecer. - Murmurou secamente enquanto desviava o olhar do homem para o garoto na janela, este se movendo pela primeira vez desde que haviam chegado ali. O garoto andou até estar ao lado da cama e retirou o coturno negro que usava, em seguida começando a se desfazer das demais peças de roupa.

               ⁃ O-O q-que está f-fazendo? - O homem questionou de olhos arregalados o rapaz a sua frente e a mulher só pode sorrir ao ver o olhar do mesmo ir diretamente ao sexo do mais novo quando este ficará exposto. Se virou de costas e andou em direção à saída para a sala de estar, dando uma pausa em seus passos antes de sair do recinto.

               ⁃ Se divirta, meu caro Adolf. - Segurou o riso.

Aquela noite Adolf Flying teve sua primeira relação sexual, está sendo com um homem, bruxo e meio-veela.
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Com o passar do tempo, alguns nascidos trouxas foram descobertos mundo á fora, fazendo com que a ramificação ficasse com mais ódio ainda. Afinal, porque os trouxas, sem nenhuma gota de sangue magico conseguiam ter filhos bruxos e eles, sangue-puros de uma linhagem poderosa, não? Dopados pelo rancor, os Vallet marcaram a história com diversas chacinas contra trouxas, nascidos e mestiços pela região de Malta, construindo assim um legado que seria passado de geração em geração com um único objetivo; destruir os sangues-ruins.


CRISTIANISMO
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⁃ Sra. Vallet, que honra te-lá no meu gabinete. - O mais velho sorriu em agrado e a mesma apenas assentiu, retribuindo o sorriso de maneira falsa e se levantando enquanto levava a mão do outro em direção ao seus lábios, distribuindo um beijo casto na mesma.

               ⁃ A honra é minha, vossa Santidade. - A mulher murmurou enquanto retornava ao seu lugar, se sentando lentamente na cadeira e cruzando as pernas, suas costas se acomodando no estofado bem feito da mesma em segundos.

               ⁃ Devo dizer que já tenho uma noção de sua presença aqui minha cara. - O homem falou e a outra arqueou a sobrancelha, atenta às palavras do mesmo enquanto arrastava seus polegares lentamente sobre o tecido negro do vestido que usava.

               ⁃ Certamente, afinal, desde que lhe enviei aquela carta vossa Santidade não me deu resposta... - Ela começou a dizer, observando com grotesca imensidão as rugas no rosto do mais velho, segurando um leve careta na qual pretendia fazer senão fosse a atual situação. - Achei que, como o Sr. provavelmente esteve muito ocupado para não me responder, o mais plausível era fazer uma visita. Incomodo-o Santo Papa?

A mulher se remexeu na cadeira e em preservação, arrumou-lhe os cabelos, observando a expressão estática que o mais velho carregou por breves segundos antes de abrir a boca.

               ⁃ Não, claro que não. - O homem a respondeu com vagarosa certeza. - Pelo contrário, como já lhe disse a minutos atras, é uma honra tê-la aqui. - Disse enquanto fazia sinal que ia se levantar, andando em direção a uma mesinha de canto que havia no cômodo, sua intenção de beber um copo de água reluzente em seus gestos. - Aceita? - Ofereceu olhando para trás por alguns segundos e observando a mesma lhe negar com a cabeça, fazendo com que voltasse sua atenção ao recipiente de vidro transparente a frente. - Bom, voltando ao assunto... - Ele falou enquanto levava uma das mãos ao jarro. - Sou direto em dizer que não fiquei nada agradável com suas ideias, Sr. Vallet. E suas insinuações sobre eu provavelmente aceitar sua proposta me decepcionaram. - Comentou fazendo com que a mulher revirasse os olhos momentaneamente e mordesse os lábios em protesto à um xingamento. - As atitudes apresentadas por ti não são nada Cristãs e eu como representante máximo de nossa Igreja não poderia compartilhar minha aprovação em relação a aquilo.  - Ele disse a última palavra como se fosse um pecado e ergueu a jarra, orando baixinho em agradecimento pela água que iria beber. A Vallet lhe observou com tédio.

               ⁃ Mas vossa Santidade, a recompensa proposta... Um território, o próprio me garantiu que daria para ti. - Ela murmurou como se estivesse ansiosa com tudo, tentando passar positividade de maneira que o outro não veria malícia em sua voz. - Um território senhor, isso seria uma evolução e tanto para nossa Igreja...

               ⁃ Basta! - O homem a interrompeu erguendo a mão em um aceno e a mulher engoliu em seco, um misto de raiva em seu peito. - Nossos representantes estão de olho no que Mussolini anda fazendo e devo dizer que é vergonhoso você se permitir aceitar tal humilhação a humanidade como aquela. O direito do livre arbítrio foi dado pelo próprio Deus, quem somos nós, pobres humanos pecadores para contradizê-lo? Quem Mussolini acha que é para contradizê-lo? Se é a minha bênção ou aprovação que ele quer, está enganado que conseguirá. E não serão terras que me farão mudar de ideia! - O homem disse com autoridade em sua voz enquanto derramava a água sobre a taça e calmamente devolvia a jarra para seu devido lugar, sua mão indo em direção ao outro recipiente desta vez e lhe levando até os lábios, agradecendo mentalmente outra vez antes de bebericar o líquido gelado que jazia ali.

               ⁃ Enfim, pelo visto vossa Santidade está irredutível, não? - O homem concordo brevemente ainda de costas e a mais nova suspirou, sua mão descendo por debaixo do vestido e arrancando da meia calça clara que usava sua varinha de madeira extensa. Os acontecimentos a seguir foram rápidos, mas ainda assim marcantes. A mulher se levantou da cadeira e com passos lentos ficou próxima ao homem, sua mão erguida enquanto apontava o objeto em direção a ele. - É uma pena eu ter de fazer isso com o senhor... - Ela fechou os olhos pedindo mentalmente perdão a Deus por seus pecados e o mais velho confuso, se virou ficando de frente a si. Seus olhos se arregalaram. - Imperius!
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O legado dos Vallet foi bastante duradouro, fazendo com que se aproximassem das artes das trevas e usufruíssem as mesmas, o que foi um ponto chave para que se aliassem, de forma secreta, á Lord Voldmort, ajudando-o economicamente quando necessário com a condição de que o mesmo os ajudasse a desinfetar o mundo dos trouxas. Quando o Lord das Trevas foi derrubado e o Ministério retomou novamente o poder do mundo mágico, os Vallet entraram em desespero e com medo destruíram qualquer sinal de magia negra que pudera os fazer suspeito, tomando a decisão de que não repassariam mais o legado e sim o colocariam em uma lembrança, para que um descendente a achasse e retomasse novamente com toda a trajetória que carregaram durante os séculos.
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MEMBROS

Código celta insular
Legade – Autoridade máxima do clã
Valm – Mestre
Õpila – Aprendiz
Lãps – Broto
Surn – Morto
Perin – Deserdado

MAXWALE LICOSKI VONGOLDEN
Legade - Empresário



HESLA LICOSKI VONGOLDEN
Surn


AGNOR LICOSKI VONGOLDEN
Surn


GEORMAN LICOSKI VONGOLDEN
Valm -  Comerciante (Joalheria)


SAMMY LICOSKI VONGOLDEN
Valm - Ministerial


EDWARD LICOSKI VONGOLDEN
Õpila – Hogwarts (Slytherin)


NAOMI LICOSKI VONGOLDEN
Õpila – Hogwarts (Slytherin)


ROBERT LICOSKI VONGOLDEN
Õpila – Hogwarts (Ravenclaw)


VINCENT LICOSKI VONGOLDEN
Lãps


VAYOLA VALLET VONGOLDEN
Sub-Legade


FREORK VALLET VONGOLDEN
Surn


PORSHEA VALLET VONGOLDEN
Valm – Comerciante (Joalheria)


OGNYR VALLET VONGOLDEN
Surn


HAGAR VALLET VONGOLDEN
Valm - Auror



KIERA /////// ///////

Perin & Surn


VIKTORIA VALLET VONGOLDEN
Valm – Redatora


AYANNE VALLET VONGOLDEN
Valm – Desconhecida


BECKY VALLET VONGOLDEN
Õpila – Durmstrang


BASTIAN VALLET VONGOLDEN
Õpila – Durmstrang


Arvore Genealógica:


ÁRVORE GENEALÓGICA

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